O contexto familiar é como um campo, uma teia de relações, dinâmico, vivo e sempre em movimento. O processo de gestação de um novo ser é entendido como um fenômeno deste campo. Por isso, falamos não só da mulher que engravida, como também da família por um todo como uma família grávida. Este processo de gestação pode iniciar antes, depois ou concomitantemente àquele biológico gestacional que ocorre no corpo das pessoas que engravidam, ou então, aos processos judiciais que envolvem uma adoção.

O olhar gestáltico, integrado, cuidadoso e atento às situações vividas por uma família grávida pode contribuir para este período tão sensível e marcado por tantas transformações. Acolher as dificuldades, medos, inseguranças, bem como as tristezas referentes ao luto de uma vida em transformação, torna-se de grande importância para ampliar possibilidades e significados, oportunizando fortalecimento e crescimento de si para lidar com novos desafios.

Quanto mais os adultos responsáveis possam explorar e olhar para as dificuldades e dramas que caracterizaram a sua própria infância e adolescência, mais podem se aproximar de um olhar para a criança que carregam nos braços ou para o adolescente e suas respectivas necessidades sem o risco de projetar neles seus sentimentos reprimidos, expectativas e medos. E a criança ou adolescente, por sua vez, poderá desenvolver uma  sensação de si e de suas necessidades sem assimilar questões e necessidades que não são suas.

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